quarta-feira, 18 de maio de 2011

tenho sede


tu tens uma sede de vidro
que tomas da sombra de meu ombro esquerdo
e ouvido

teu sexo aberto em flor
convida a mergulhar abismos remotos
em vermelho calor


espuma o mar em meus lábios
o sal do consorte amigo
o cetro sem culpa dos homens poetas


teu cavalo
montaria sem tréguas
centauro místico
onda rebentando na praia
cópula dos sentidos


Edson Bueno De Camargo

terça-feira, 12 de abril de 2011

morrer de prazer...


É sabido que as mulheres gozam com os olhos e tremulam só de pensar em pequenices, leves brilhos e festas sem motivo aparente. Nem todas, tens razão. Só as que mentem em voz baixa tem predileção por chás e purpurinas jogadas ao vento. É bem destas que me dá gosto falar, das que precisam de detalhismos imaginários e miudezas d'alma. Essas que acham só graça em trepadas de poucos beijos e exigem abajur e janelas abertas. Estas que são cruéis, quase sempre. Estas que não precisam de altos e há quem diga, fazem com que tu não acorde mais.


sábado, 16 de outubro de 2010

Uma mulher




Uma mulher caminha nua pelo quarto
é lenta como a luz daquela estrela
é tão secreta uma mulher que ao vê-la
nua no quarto pouco se sabe dela

a cor da pele, dos pêlos, o cabelo
o modo de pisar, algumas marcas
a curva arredondada de suas ancas
a parte onde a carne é mais branca

uma mulher é feita de mistérios
tudo se esconde: os sonhos, as axilas,
a vagina
ela envelhece e esconde uma menina
que permanece onde ela está agora


o homem que descobre uma mulher
será sempre o primeiro a ver a aurora. 

Bruna Lombardi

domingo, 12 de setembro de 2010

morrer de prazer




Tuas mãos percorrem meu corpo
e o que sinto é um ardor
uma vontade de nunca mais parar
eu diria até uma vontade de morrer
ali, de tanto prazer!
E quanto mais nos amamos,
mais aumenta esta vontade
de te sentir em mim
o prazer explode
assim como a vontade de gritar:
eu amo você
cada vez que terminamos
e nos abraçamos nus
com os corpos ainda quentes.

sábado, 4 de setembro de 2010

A cor da paixão



Em desejo possuída
        se joga,
             se rasga,
   se estraga
          contra os móveis,
  sobre as plantas,
         entremuros,
 se vê fera,
       se faz cadela,
            se morde serpente,
         ferida em seu desvario
no mais escondido recanto do seu bem-querer,
    no seu coração perple o e ávido
       que ela desfibra devagar.


Regina de Fontenelle 

sábado, 28 de agosto de 2010

amor e sexo



O sol entrava pela janela,
um sorriso,
o braço extendeu e cobriu meu corpo,
me puxou ,
abraçou,
senti sua rigidez
penetrando,
o teu peso nas minhas costas,
sempre parece a primeira vez
onde tudo foi novo
nunca sentido
o sexo e o amor
explodindo
no gozo!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

"Empresta-me tuas mãos só por uma noite..."



sem você meu corpo morre
preciso do seu toque
macio
forte
preciso da suas mãos percorrendo meu corpo
preciso de sua respiração no meu pescoço
preciso de sua lingua invadindo minha boca
e você não está aqui...

"Empresta-me tuas mãos só por uma noite..."